Manifestação Artística contra o comércio de Animais em Belém

Preparativos finais ao lado do Teatro Waldemar Henrique
Domingo, dia 27/03, ativistas do grupo de Direito Animal Vegetarianos em Movimento - VEM, organizaram uma manifestação com encenação artística na Praça da República em protesto ao freqüente comércio ilegal de animais que ocorre nesta praça.

A manifestação faz parte da Campanha "Não Compre, ADOTE!”, lançada no final de 2010 pelas Ongs  VEM e Associação de Defesa e Proteção Animal - ASDEPA, e como o nome já indica, a campanha é contra o comércio de animais e a favor da adoção.

Cortejo na Praça
Apesar da lei Municipal 8.413 proibir, desde 2005, a comercialização de animais em praças e vias públicas, visando resguardá-los da exposição a condições insalubres, atos de maus tratos ou abusos, os quais são previstos como crimes pela Lei nº 9.605/98 e também são vedados pelo art. 225 § 1º VII da Constituição Federal, o comércio ocorre regularmente na Praça da República e em outras praças e feiras movimentadas de Belém. 

Instalando a venda
A manifestação iniciou-se às 10h com um cortejo artísticos saindo da frente do Teatro Waldemar Henrique. Três ativistas, que usavam roupas na cor da pele e máscaras de cães e gatos, estavam acorrentados pelos pescoços e eram puxados truculentamente por um outro ativista caracterizado de vendedor de animais, mais atrás um quinto ativista, fantasiado de morte, seguia o cortejo que circulou pelos calçadões da praça ao som de choros caninos e ao fundo a música “Roots Bloody Roots” da Banda Sepultura.

Ativistas protestando
 O cortejo chamou a atenção do público da praça e muitos curiosos o acompanharam até  um ponto próximo de onde ocorre a venda ilegal de animais, lá havia algo encoberto por uma lona preta, o qual foi descoberto pelo “vendedor” e pela “morte” revelando uma jaula, para onde os “animais” foram empurrados e trancados, só então o “vendedor” anunciou que se tratava da venda de animais e começou a oferecê-los e a barganhar preços.



Vendedores tentando intimidar e tumultuar a manifestação
Gatinhos vira-latas abandonados pelos vendedores
Em seguida um outro grupo de ativistas exibiram banner’s com imagens de animais resgatados de “Fábricas de Filhotes” e começaram a interagir com o público denunciando os maus-tratos a que os animais reproduzidos para venda são submetidos, falando, panfletando e coletando assinaturas no abaixo-assinado em apoio a campanha pela regulamentação da Lei 8413/05 que reforça a proibição da venda de animais em praças e vias públicas.

Abraço de agradecimento pela libertação
Vários vendedores tentaram intimidar os ativistas e tumultuar a manifestação chegando inclusive a abandonar três filhotes de gatos sem raça definida (vira-latas) na área onde acontecia a manifestação. Apesar da  manifestação ser pacífica, as provocações dos vendedores já eram previstas, por isso foi solicitado o apoio do GAT (Grupo de Ações Táticas) da Guarda Municipal de Belém para  acompanhar a manifestação e resguardar os ativistas de excessos vindos dos vendedores.


Ativistas agradecem o apoio popular
A manifestação foi finalizada quando uma pessoa do público aceitou libertar os “animais” recebendo em troca por seu gesto um caloroso abraço dos “animais”, transmitindo a mensagem de que a dor e o sofrimento dos animais vítimas das “Fábricas de Filhotes” só irá terminar quando as pessoas pararem de comprar. O jornal O Liberal e Amazônia (Ambos jornais impressos) e o Programa Entrevista Amazônia (Imprensa Alternativa veiculada na Internet) cobriram a manifestação.



Leia a materia sobre a manifestação no Jornal O Liberal.


Assista abaixo o vídeo sobre a matéria no Programa Entrevista Amazônia:



A manifestação buscou denunciar as más condições a que os filhotes são expostos para a venda na Praça da República, denunciar as “Fábricas de Filhotes” e conscientizar a sociedade quanto a importância da adoção.
Animais a venda na Praça da República
A maioria dos vendedores leva a praça vários filhotinhos ainda muito novos e frágeis, os colocando em caixas de papelão ou até mesmo no chão, ficando a mercê de intempéries como calor, chuva, frio, e expostos a parasitas e zoonoses, etc. Alguns vendedores não levam sequer água ou alimento para filhotes, que chegam a ficar até 5 horas nessas condições, alguns vendedores passam horas segurando os filhotes nas mãos tentando atrair compradores.

Não há comprovante das origens desses animais, nem de acompanhamento veterinário ou mesmo de procedimentos básicos como vermifugação, vacinação, etc., também não são emitidos documentos de compra e venda, nem mesmo um simples recibo, tão pouco há critérios, controles ou cadastro dos compradores, evidenciando que o único objetivo é a venda e o dinheiro fácil, “pagou levou”.

Porém o mais cruel é o que pode estar por trás da venda, alguém já se perguntou de onde vem as dezenas de animais de “raça” colocados a venda toda a semana na Praça da Republica, por exemplo?

Infelizmente a maioria vem de FÁBRICAS DE FILHOTES, quintais onde vários animais adultos, em sua maioria fêmeas, são aglomerados em pequenos espaços, em muitos casos em pequenas gaiolas, sem a higiene, a iluminação e a ventilação adequados, os animais chegam a passar suas vidas presos e forçados a reproduzirem.

Fêmeas resgatadas de "Fábricas de Filhotes"
A maioria dos “Fabricantes” não tem a devida preocupação com o cruzamento entre parentes, o que pode gerar filhotes com sérios problemas genéticos, cuidados veterinários só em último caso, pois esses custos diminuem a margem de lucro dos “fabricantes”. Muitos desses animais também são vendidos a petshops para revenda ao público.

A maioria desses “Fabricantes” é movida apenas pelo desejo de lucro fácil, exploram esses animais, principalmente as fêmeas, como se fossem máquinas de reprodução em série e ininterruptamente, desprezando o fato de que também são seres vivos, que precisam de descanso, cuidados veterinários, que têm necessidades maternais de estarem próximas aos seus filhotes e de que necessitam de atenção e carinho.

E quando essas cadelas não conseguem mais gerar filhotes, muitas vezes são abandonadas ou até mesmo sacrificadas, esse mesmo destino é dado aos filhotes que não são vendidos e se tornam adultos, pois ambos passam a ser considerados como despesa e prejuízo aos criadores.

Quando você compra um animal, além de poder estar colaborando com as “Fábricas de Filhotes”, você também está condenando um outro animal ao abandono, pois ao invés de comprar você poderia adotar o seu melhor amigo. Em Belém há várias ONGs que atuam no resgate de animais abandonados, cuidam de sua saúde e os disponibilizam para a adoção, porém o problema dos animais abandonados em Belém é gravíssimo, segundo o Centro de Controle de Zoonoses de Belém – CCZ, só em Belém há cerca de 200 mil animais de rua, como pode ser visto no video abaixo:




Os ativistas da Campanha "Não Compre, ADOTE!" estão coletando assinaturas em favor do Projeto de Lei nº 1277/10, que busca estabelecer mecanismos de coerção e agentes de fiscalização ao comércio de animais em feiras livres e de artesanato, ruas e praças, regulamentando o Art. 8º, da Lei 8413/05, o qual apesar de já proibir o comércio, não estabelece tais procedimentos, o que dificulta o combate a essa ilegalidade.


Como posso ajudar a Campanha?


- Não comprando animais, adotar o seu melhor amigo é um ato de respeito, solidariedade e compaixão aos animais;


- Assinando o abaixo-assinado online (clique aqui) ou na Praça da República aos domingos;


- Baixando o abaixo-assinado (clique aqui) e o panfleto da Campanha (clique aqui), divulgue e colete assinaturas entre seus parentes e amigos,na escola, faculdade, trabalho, etc.;

- Ajudando nas atividades da Campanha na Barraca do VEM ou na Feira de Adoção da de Animais da ASDEPA, ambas aos domingos na Praça da República.

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